Porque jornalismo de celebridades é um eldorado

Publicado: fevereiro 22, 2015 em Uncategorized

   Por Fábio Couto*

A onda não é recente, mas ganhou força com a popularização da internet, que abriu espaço para o surgimento de celebridades instantâneas, afoitas por serem reconhecidas pelas pessoas

Darlene, personagem de Déborah Secco em Celebridade: redações ajudam a criar novas personalidades de mídia

Olá.

É um número imenso de sites, blogs, revistas, colunas de jornal e programas de TV que tem feito do jornalismo de celebridades um filão mais que explorado. Mais do que acompanhar a agenda cultural ou artística, é cada vez maior o número de veículos que criam editorias (ou subeditorias) específicas apenas para acompanhar o dia a dia de celebridades, fora blogs e sites independentes ou ligados a publicações que são criados exatamente para esse fim.

As chamadas editorias de entretenimento têm como característica a publicação de amenidades, voltadas para o lazer e o repouso mental. São aquelas informações que servem de combustível para a mesa do bar ou para a conversa da fila do banco.

E para ter notícia é preciso “matéria-prima”, ou seja, pessoas que estão dispostas à exposição ou pessoas públicas que estão fazendo alguma atividade fora do trabalho, algo corriqueiro, do tipo “gente como a gente”, em situações como um dia na praia, compras no shopping ou aguardando um vôo.

São “flagras”, “exclusivos”, “polêmicas” e “gafes” que movimentam tal editoria, colocando em alguns casos profissionais e artistas em campos opostos. E sempre ressuscita a questão principal: quando o direito de informar não viola a privacidade das pessoas.

É preciso destacar que colunas de fofocas sempre existiram e além disso, nas principais cidades do país colunas sociais eram espaços muito lidos exatamente por causa dos bastidores das festas e dos eventos que ocorriam nos lugares mais concorridos. Quando a TV se popularizou, na década de 70, revistas sobre a TV sempre traziam notícias sobre detalhes da vida pessoal de artistas.

Nos anos 90, em especial, houve um passo significativo no surgimento de revistas que tratam especialmente da vida dos artistas – os principais nomes eram a Caras (que ainda circula) e a Chiques e Famosos (com circulação suspensa).

A TV por assinatura, a popularização da internet e novos formatos de programas, especialmente reality shows, que colocam pessoas comuns no centro das atrações, elevaram a oferta e a demanda por esse tipo de notícia, abrindo espaço para o surgimento de celebridades instantâneas, afoitas por serem reconhecidas pelas pessoas, não por seus feitos profissionais, mas sim por estarem expostas na mídia – até ajudam a criar novas celebridades.
O fato é que cada vez mais veículos apostam em publicar o dia a dia das celebridades, se possível sem sair das redações – a novidade é publicar o que eles escrevem nas redes sociais.

E por que há esse avanço em direção a esse filão? Quais são os principais fatores para que veículos se aventurem a cobrir fatos corriqueiros das pessoas, contrariando até mesmo o princípio da notícia, com informações até mesmo irrelevantes?
Custo baixo – Cobrir celebridades não traz problemas financeiros, especialmente nos últimos anos, com o advento das redes sociais. Através de perfis no Facebook, Twitter e Instagram (esta, cada vez mais usada), celebridades passaram a postar conteúdos sobre a vida pessoal, abrindo uma avenida de oportunidades para as redações, sem sair do lugar. Além disso, por ser uma área pouco nobre do jornalismo, são repórteres iniciantes, não raro estagiários que cobrem essa área, em troca de salários mais baixos.
Alto interesse do público – Não confunda com interesse público. Mas infelizmente há uma parcela expressiva da sociedade que tem curiosidade em saber detalhes da vida pessoal dos artistas. O que nunca deixou de ser novidade. Mas além de querer saber, há quem acompanhe detidamente os passos de seus ídolos ou artistas tidos como simpáticos. Não raros, são matérias listadas entre as mais lidas se sites e portais de notícias (especialmente se o tema for “barraco”.
Risco baixo para a reportagem – Quem cobre guerras ou a “geral” sabe que são editorias perigosas, onde o risco de vida é iminente.  Acompanhar uma operação policial ou um confronto entre soldados e integrantes de movimentos separatistas, por exemplo, é uma atividade que requer sangue frio, cuidados adicionais, uma dose de paixão pela profissão e, no caso dos veículos, suporte financeiro para o caso de fatalidades. Quem cobre celebridades corre o risco de processos judiciais (raros) ou de apanhar de alguns artistas contrariados pela exposição.
Alta oferta de “matéria-prima” – Interesse pela exposição, em outras palavras, também provoca uma cobertura mais intensiva. Afinal de contas, se há alguém interessado em aparecer, e isso traz audiência, por que não abrir esse espaço a quem quer? Com a criação do gênero “reality show”, cada vez mais pessoas vêem nessa opção uma forma de ascensão social (motivada por prêmios em dinheiro) e de ganhar fama.
Não se pode dizer que esse tipo de jornalismo é prejudicial; é questão de querer fazer parte do jogo. Há quem tope e quem não tope. Quando veículos rompem esse “acordo tácito”, é que surgem as polêmicas entre profissionais de imprensa e artistas.

Algum leitor deve se perguntar se um dia esse tipo de jornalismo pode perder força ou deixar de existir. A única resposta mais provável seja “quando ninguém mais quiser saber sobre a vida das pessoas”.

Fonte: VisibilidARTE.
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