Teia de relacionamentos na escola. Como criar um clima de gestão sistêmica com intervalos e pausas?  

Publicado: dezembro 16, 2014 em Uncategorized

Por Paulo Henrique de Souza.
Você não consegue harmonia quando todo mundo canta a mesma nota” (Doug Floyd).
Quando o primeiro semestre termina e inicia-se o planejamento escolar do próximo ano, um dado precisa ser levado em consideração, pelos gestores educacionais: a teia de relacionamentos que se estabelece nas comunidades educativas. Somos resultados dos contatos que travamos, com as pessoas diariamente que, oscilam dos conflitos emocionais à interação sistêmica e harmônica. Escola é lugar de tensão. Onde não existe monotonia e cada dia ainda é bem diferente do outro e tudo o que se planejou pode cair por terra devido aos humores, vaidades, armadilhas comunicativas, perda do equilíbrio entre razão e emoção, busca de realização e satisfações pessoais. Socialização, gente encontrando com gente. Nos processos de Coaching Educacional Sistêmico, com gestores e educadores, percebemos que muitas vezes, os projetos da escola e de sua gestão, não levam em conta, os humanos que dela fazem parte. Sobretudo, no que tange a avaliação. As pessoas não gostam de receber críticas e isso, cria uma barreira, na teia de relacionamentos o que é facilmente sentido, pelos alunos ajudando a degringolar com o clima organizacional. A indisciplina na maioria das escolas resulta em outros fatores da ausência de ações assertivas dos gestores para criar espaços de sinergia e de investir em momentos de confraternização dentro da comunidade educativa. Fazemos parte da mesma teia existencial e a escola precisa de sensibilização, humanização e troca de afetos. E não se trata de ser piegas, mas precisamos espalhar amor para crianças e adolescentes que educamos e, para os colegas de trabalho. Amor e disciplina não são divergentes. Amor exigente gera cidadania. Não há uma receita específica para a criação de uma equipe harmônica, uma vez que, o duelo de comportamentos, personalidades e práticas são distintos, mas investir em humanização na educação é urgente. Isso requer das lideranças educacionais uma análise transacional e uma capacidade de intuir e planejar intervalos e pausas na ambiência da escola do século 21. As pessoas que integram a comunidade educativa vêm para mesma com sua bagagem existencial e papéis sociais – pais, filhos, maridos, esposas, colegas de trabalho, superiores hierarquicamente transitam pelo universo psicopedagógico das instituições. Existe um imaginário que os gestores precisam ler, interpretar, decifrar, agir e avaliar para gerar qualidade sistêmica de vida na escola. Isso requer adaptação, ensaio e erro e, sobretudo transparência. Parafraseando Edgar Morin necessita-se desenvolver uma “inteligência da complexidade” e da completude. Na mudança de época e época de mudança que as sociedades e culturas vivem no século 21 as unidades de referências valorativas de 30, 40 anos atrás sofreram mutação e a escola é a primeira instituição social a lidar com as ressonâncias dessas mudanças após as famílias. O novo visita as escolas todos os dias através da linguagem e gestos de suas crianças e adolescentes. Novas culturas juvenis emergem. Saber observa-las e interpretá-las cria diferencial para as instituições educacionais. Cabem às escolas criar momentos de interação com os pais e responsáveis dos estudantes para juntos criarem uma linguagem assertiva. Nós de Educação é o Alvo estamos desenvolvendo isso, com o Projeto Zigoto que, visa com dez encontros anuais agendados previamente, conversar com os adultos da relação e com os alunos, sobre alinhamento sistêmico de comunicação. A vida é uma eterna arte de escolha entre omitir e agir. É necessário o exercício da escolha entre controlar, ser submisso ou criar a sinergia que gera equilíbrio. Gestores escolares autênticos investem na criação de espaços de comunicabilidade onde a cultura da paz e da solidariedade consiga crescer nas instituições. Valores pessoais, coletivos, religiosos, éticos transitam nestes espaços que precisam se preparar para os desdobramentos ocasionados pelas relações humanas e pela febre tecnológica (tecnofilia). Somos humanos, não somos máquinas! A coragem e a autenticidade dos gestores são fundamentais, para a criação de um clima organizacional de partilha, respeito e, com uma ecologia humana saudável. Todo trabalho em educação implica a ação de liderança. Nesse aspecto, a liderança “constitui na capacidade de influenciar positivamente pessoas, para que, em conjunto, aprendam, construam conhecimentos, desenvolvam competências, realizem projetos e promovam melhorias em alguma direção” (LUCK, 2008, p. 1). Como esta a teia de relacionamentos em sua escola? Esse pode ser um tema para sua Semana Pedagógica? Vamos pensar sobre essas questões? Fazemos isso em nossos encontros com instituições escolares. Essa é nossa missão. REFERÊNCIAS: CARVALHO, L.M. Clima de escola e estabilidade dos professores. Lisboa: Educa, 1992. DOURADO, Luiz Fernandes. Progestão: como promover, articular e envolver a ação das pessoas no processo de gestão escolar? Brasília: CONSED – Conselho Nacional de Secretários de Educação, 2001. FERREIRA, Naura Syria Carapeto (Org.). Gestão democrática da educação: atuais tendências, novos desafios. 6.ed. São Paulo: Cortez, 2008. FREIRE, P. Professora sim, tia não. Cartas a quem ousa ensinar. São Paulo: Olho D’Água, 1997. GALEGO, F. Gestão e participação numa escola secundária. Lisboa: Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, 1993. GESTÃO EM AÇÃO. Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da UFBA; ISP / UFBA. – v.1, n.1 (1998) – Salvador: O Programa, 1998. GUIMARÃES, Eduardo. Os limites do sentido: um estudo histórico e enunciativo da linguagem. 2a ed. Campinas, SP: Pontes, 1999. 91p. LIBÂNEO, José Carlos. Organização e Gestão da escola: teoria e prática. 5 ed. Goiania, GO: Alternativa, 2004. LÜCK, Heloisa; FREITAS, Kátia Siqueira de; GIRLING, Robert; KEITH, Sherry. A escola participativa: o trabalho do gestor escolar. 5.e.d. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2008. LÜCK, Heloisa. Liderança em gestão escolar. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2008. SERGIOVANNI, T.J.; CARVER, F.D. O novo executivo escolar: uma teoria de Administração. São Paulo: EPU, 1973. SILVA, Jerônimo Jorge Cavalcante. Gestão escolar participada e clima organizacional. Gestão em Ação, Salvador, v.4, n.2, p.49-59, jul./dez.2001. ROSAR, Maria de Fátima Felix. A dialética entre a concepção e a prática da gestão democrática no âmbito da educação básica no Brasil. Educação & Sociedade, ano XX, nº 69, dez, 1999. Inteligência digital e escolas verbais: o que fazer? Por Paulo Henrique de Souza. “Se a humanidade construiu outros tempos, mais rápidos, mais violentos que o das plantas e animais, é porque dispõe deste extraordinário instrumento de memória e de propagação das representações que a linguagem. (…) Linguagem e técnica contribuem para produzir e modular o tempo” (Lévy, 1993, p.76). Em um cenário de novas tecnologias e de estudantes que são nativos digitais um novo conceito emerge e desafia as escolas: a Inteligência Digital. Como se ajustar a essa nova realidade? As escolas são verbais e os alunos contemporâneos são conectados a um mundo cibernético onde as informações tem trânsito frenético. Professores transmitindo e alunos ouvindo não condizem, com o novo contexto de revolução tecnológica. A aprendizagem colaborativa, sociointeracionista e significativa exige imersão nas novas formas de interatividade e sociabilidade. Os pesquisadores refletem diariamente sobre metodologias que se interajam a Inteligência Digital, contudo, alguns gestores educacionais e professores resistem a implantar soluções educacionais que possibilitem convergências entre as gerações X e Y. O trânsito de informações necessita de um tratamento sistêmico que consiga unir a fala do professor, as situações-problema, o conhecimento prévio do aluno e processos que contextualizem o conteúdo programático dos materiais didáticos, sejam, impressos ou interativos? A inteligência digital presente nas redes sociais exige uma leitura crítica dos gestores, educadores e dos alunos. Nem tudo que está no fluxo da cibercultura representa a realidade. Diante das multiplataformas a comunidade educativa necessita se mobilizar e contextualizar. O cenário da inteligência digital, exige uma releitura da ciência, da cultura, da tecnologia, dos currículos e das perspectivas para encantar os alunos que se mostram desmotivados frente as escolas verbais que ainda se alicerçam no magistocentrismo e na prática enciclopédica. Os canais midiáticos diversificados são transdisciplinares ao passo que o paradigma da educação básica ainda se estrutura em grades curriculares fragmentadas. Como criar interação entre instrumentos tecnológicos e práticas humanizadoras? Essa pergunta é vetor para discutir a educação no século 21. A Inteligência Digital aponta para a megatendência da aprendizagem móvel, enquanto isso, muitas escolas, continuam estáticas. Como resolver essa dualidade causada pela ínfima interatividade? Como criar sinergia entre mediação pedagógica e recursos digitais emergentes ? Inegavelmente Edgar Morin foi assertivo, quando em linhas gerais afirmava que temos de aprender a lidar com a incerteza e com a complexidade, para assim, lidar com a fluidez de cenários e dos resultados. Com um clic: a porta para a inteligência é digital é aberta e os atores da escola precisam verbalizar suas inquietudes e perguntar sempre: o que fazer? Isso tenho feito, em nossas formações continuadas, em Educação é o Alvo. Sugestão de leitura: LÉVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Tradução: Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1993, 203 páginas.

Paulo Henrique de Souza.

Mestre em Ciências da Religião.
Especialista em Educação com ênfase na Ação Pedagógica em história Moderna e do Brasil. Historiador, conferencista e escritor.
Linha Direta
 Rua Felipe dos Santos, 825 – Conjunto 305 e 306 – Lourdes – Belo Horizonte – MG – CEP 30180-160 Tel. 55 31 3281-15
Acesso  em http://www.linhadireta.com.br/
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