6º SEMINÁRIO BRASILEIRO DE ESTUDOS CULTURAIS E EDUCAÇÃO E 3º SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE ESTUDOS CULTURAIS E EDUCAÇÃO.

Publicado: outubro 17, 2014 em Uncategorized

APRESENTAÇAO
 EDUCAÇÃO, TRANSGRESSÕES, NARCISIMOS
A cultura contemporânea constitui-se em um campo povoado por uma infinidade de acontecimentos que formam uma bricolagem complexa e heterogênea. Por um lado, observamos nos últimos anos a emergência de uma série de movimentos contestatórios em que vemos a internet chamando para a rua, contrariando a percepção de que a rede estaria corroendo a ocupação do espaço público e isolando os indivíduos. São os egípcios da Praça Tahir que chamam os indignados para a Praça del Sol madrilenha, cujos gritos projetam uma ocupação de Wall Street que logo se espalha pelos EUA e que aporta em Porto Alegre pelos ônibus urbanos , tomando o Brasil como uma imensa onda. A aliança entre as tecnologias digitais e o espaço da cidade é mediada pelo ciberativismo de grupos como o Anonymous e pelas mídias participativas, como o jornalismo praticado pelo grupo Mídia Ninja.
Também transgressores são os movimentos que reinventam o feminismo, que reivindicam outras possibilidades para os corpos que fujam à dicotomia simplificadora entre um modelo submisso ao patriarcado e uma emancipação previamente definida, como, por exemplo, a Marcha das Vadias. Dentro desse espectro, estariam ainda movimentos LGBT, que apresentam uma gama cada vez mais variada de possibilidades de experimentar a sexualidade e o gênero, os ciclistas do Massa Crítica e os coletivos de arte que intervêm na paisagem urbana. Essas discussões ganham ainda mais consistência se nos valermos de dois importantes pensadores que serão homenageados neste evento. Na maioria das vezes, os movimentos funcionam sem fundar-se em identidades de grupo, reforçando a afirmativa de Hall (2006), falecido em 2014, de que as paisagens políticas modernas são crescentemente fraturadas pela erosão de “identidades mestras”. Já Foucault (2004), cujo 30º aniversário de morte também foi em 2014, ainda se mostra atual quando afirma que embora as identidades pudessem ser úteis na ação política, elas engessariam os processos de subjetivação, restringindo as possibilidades de constituir-se de outros modos.
De certa forma, essas manifestações se constituem por multiplicidades que se organizam como o que Hardt e Negri (2002) chamam de multidão, ou seja, conjuntos de singularidades que se unem em lutas localizadas e contingentes. Porém, apesar dos múltiplos movimentos transgressores, a cultura contemporânea também e, possivelmente de modo até mais forte, abriga acontecimentos que reforçam um individualismo narcisista e hedonista. Sinal importante disso é o fato da palavra selfie, aqueles autorretratos feitos com câmeras digitais frequentemente postados em redes sociais, ter sido escolhida a Palavra do Ano de 2013 pelo Dicionário de Oxford. O sujeito contemporâneo espetaculariza a si mesmo, vivendo o que Sibilia (2008) chama de show do eu. Um eu sob medida para ser exposto, um eu que investe para tornar-se numa prometida, e imediatamente já desatualizada, melhor versão de si mesmo, uma versão que antes de tudo deve ser bela, magra, malhada, glamorosa e, articulado a tudo isso, jovem. O narcisismo contemporâneo incentiva, na maioria das vezes, não apenas a normalização dos corpos e das condutas, mas, na sua versão mais atual, a dimensão funcional e disfuncional do corpo e do eu, agenciando os indivíduos para um trabalho sobre si que os coloque dentro dos parâmetros desejáveis, prometendo para aqueles que assim agirem ao menos algum momento de sucesso e felicidade. Assim, transgressão e narcisismo podem parecer a um primeiro olhar polos opostos dos comportamentos contemporâneos. Porém, talvez seja possível que em alguns acontecimentos esses dois elementos se cruzem e se combinem. Não seria, talvez, o caso dos rolezinhos, movimentos que levam grupos de jovens de classes populares a invadirem shoppings em busca de diversão, portando suas melhores roupas e acessórios, cobiçando os objetos de desejo e transgredindo uma fronteira invisível que deveria mantê-los fora dali? Enfim, é profícuo problematizar a relação existente entre esses dois movimentos (transgressores e narcisistas) que, como já apontado, a priori parecem contraditórios, mas que – simultaneamente – podem vincular-se às identidades fluídas de grupos e sujeitos pós-modernos que circulam em distintos espaços tomados – na Contemporaneidade – como educativos. Nesse sentido, a possibilidade de pensar sobre essa relação torna-se, ao mesmo tempo, um desafio e uma provocação àqueles que se vinculam ao campo da educação. Desafio para o qual os convidamos para debater neste 6º Seminário Brasileiro de Estudos Culturais em Educação e 3º Seminário Internacional de Estudos Culturais em Educação.
Comissão Organizadora
Karla Saraiva(ULBRA) – coordenadora
Bianca Salazar Guizzo (ULBRA)
Lodenir Karnopp (UFRGS)
Luís Henrique Sacchi dos Santos (UFRGS)
Luiz Felipe Zago (ULBRA)
Maiores informações na página do evento
 www.sbece.com.br
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s