O livro didático e a escola do século XXI.

Publicado: julho 19, 2014 em Uncategorized

Alysson Ramos Artuso

O ano de 2014 marcou o início do que pode ser uma revolução nas salas de aula do Brasil: a introdução do livro didático digital. O edital do Programa Nacional do Livro Didático para os livros usados em 2014 (PNLD 2014) previa uma modalidade de livro digital que agora já está nas escolas. O mesmo acontece com o PNLD 2015, dedicado ao Ensino Médio, e que chega no próximo ano às instituições públicas.

Os editais, elaborados cerca de dois anos antes dos livros chegarem aos alunos, contém alguns déficits, mas já era tempo de modernizar o livro didático (e também os métodos de ensino). A impressão é de que ninguém leva a tecnologia a sério até que não dê mais para ignorá-la. E não dá mais. Computadores, tablets e celulares, especialmente celulares, já fazem parte da sala de aula. Existem mais telefones móveis no Brasil do que pessoas, num mercado que cresce oito vezes mais rápido do que o de computadores.

Em vez de professores que reprimem o uso de celulares e tablets em sala de aula (numa atitude de dupla perda: do interesse do aluno e da alfabetização tecnológica), é preciso trazer esses dispositivos para dentro do ensino. A existência de livros digitais pode auxiliar nesse processo, trazendo o conteúdo educacional numa mídia atraente para o estudante.

Infelizmente, tanto o edital de 2014 quanto o de 2015 trazem problemas de compatibilidade e limitações tecnológicas para o livro digital. Além disso, há a questão de custo. É caro, de tempo e dinheiro, produzir objetos digitais de qualidade. Pior, os editais não preveem nem o tempo e nem o dinheiro necessários para se incrementar os recursos digitais.

Como resultado, os primeiros objetos a chegarem às escolas estão muito aquém da potencialidade dessa ferramenta. São basicamente PDFs que reaproveitam links ou vídeos já existentes de outras iniciativas, sem que reflitam a proposta pedagógica do material didático.

Contudo, ainda que não haja uma perfeita integração entre objetos digitais e livros didáticos, o primeiro passo foi dado. Daqui para frente há muitos exemplos que podem ser seguidos, especialmente de materiais da Coreia do Sul, pioneira no livro digital, e também dos Estados Unidos. Mas também há muito por se inventar e a criatividade é uma de nossas marcas. Não podemos deixar passar a hora de fazer a escola do século XXI, o que inclui o seu material didático.

Alysson Ramos Artuso
Professor e pesquisador da área de educação e livros didáticos. Formado em Física, mestre em Educação e doutor em Métodos Numéricos, participou de diversos cursos de extensão, incluindo o Designing a New Learning Environment da Universidade de Stanford. Já escreveu dezenas de livros didáticos e editou ou organizou mais de uma centena deles.

Fonte: Blog Educação em Inovação.

Acesso em
http://www.educacaoeminovacao.com.br/2014/07/o-livro-didatico-e-escola-do-seculo-xxi.html

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s